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Autores e Livros, mantido pelo coordenador do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa e editor da Língua Geral Eduardo Coelho, nos chega a polêmica surgida na imprensa lusa acerca de uma prática cada vez mais comum não só em Portugal, como em todo o mundo: editoras que destroem os livros encalhados em seus armazéns.
Tudo começou com uma matéria do dia 9 de fevereiro para o periódico
Jornal de Notícias, na qual o editor José da Cruz Santos denuncia a destruição de dezenas de milhares de livros de autoria de
Jorge de Sena,
Eugenio de Andrade, Eduardo Lourenço e
Vasco Graça Moura, publicados pela
ASA, uma das editoras que compõe o Grupo Leya, maior conglomerado editorial do mundo lusófono.
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Nos 96 títulos atingidos, incluem-se obras marcantes como "Daqui houve nome Portugal", uma antologia de verso e prosa sobre o Porto organizada e prefaciada por Eugénio de Andrade, e "21 retratos do Porto para o século XXI", uma edição comemorativa dos 150 anos da morte de Almeida Garrett que inclui textos, pinturas, desenhos e fotografias de dezenas de autores.", diz a matéria.
A notícia motivou reações ácidas. No dia 4 de março, o crítico e jornalista Miguel Esteves Cardoso chegou a desejar "sinceramente que a Leya se foda", em um
artigo de opinião para a versão impressa do
Público, jornal de maior circulação em Portugal. Até a ministra da Cultura Gabriela Canavilhas resolveu manifestar-se, afirmando em entrevista ao jornal
i que a destruição de milhares de livros pelas editoras lusas é "um massacre" e "o Ministério da Cultura irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar a destruição de livros, que afinal é uma pratica regular e generalizada". Ironicamente, ao fazer as declarações, a ministra encontrava-se em Maputo, capital de Moçambique, onde compareceu à cerimônia de entrega do último
Prêmio Leya, vencido pelo escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho.
Em defesa, o Grupo Leya enviou comunicado à
Agência Lusa, no qual atesta que a destruição de livros é uma medida extrema e é "já claro à data de hoje que a redução de stock de livros por via de reciclagem é algo inerente ao próprio mercado editorial, português e mundial". Em entrevista ao
Diário de Notícias o secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, Miguel Freitas da Costa, alega a guilhotina (termo usado em Portugal) de livros ser uma prática comum: "não estou a dizer que todas as editoras já o fazem, mas é uma tendência que se detecta e que gradualmente se massificará", disse.
Episódios do tipo acontecem com mais freqüência do que se fica sabendo. O escritor venezuelano Fernando Báez chegou a registrar em sua
História Universal da Destruição de Livros (Ediouro), fruto de doze anos de pesquisa, que "os
worst-sellers são os livros nunca comprados e finalmente deteriorados: quase sempre passam para as mãos de uma equipe de produção que procura um rápido final para eles". Ao lado de perseguições étnicas, políticas e religiosas, pelo visto as editoras também representam uma ameaça aos livros. É algo corriqueiro, logo abaixo dos nossos narizes, e que não costuma receber muita reflexão ética.
E aqui no Brasil, você já ouviu falar de prática semelhante?
O que será que as grandes editoras fazem com o seu encalhe?
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