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Destruir livros é normal?
Felipe Pontes, Rio de Janeiro (RJ) · 10/3/2010 · 3
Divulgação
Via o blog Autores e Livros, mantido pelo coordenador do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa e editor da Língua Geral Eduardo Coelho, nos chega a polêmica surgida na imprensa lusa acerca de uma prática cada vez mais comum não só em Portugal, como em todo o mundo: editoras que destroem os livros encalhados em seus armazéns.

Tudo começou com uma matéria do dia 9 de fevereiro para o periódico Jornal de Notícias, na qual o editor José da Cruz Santos denuncia a destruição de dezenas de milhares de livros de autoria de Jorge de Sena, Eugenio de Andrade, Eduardo Lourenço e Vasco Graça Moura, publicados pela ASA, uma das editoras que compõe o Grupo Leya, maior conglomerado editorial do mundo lusófono.

"Nos 96 títulos atingidos, incluem-se obras marcantes como "Daqui houve nome Portugal", uma antologia de verso e prosa sobre o Porto organizada e prefaciada por Eugénio de Andrade, e "21 retratos do Porto para o século XXI", uma edição comemorativa dos 150 anos da morte de Almeida Garrett que inclui textos, pinturas, desenhos e fotografias de dezenas de autores.", diz a matéria.

A notícia motivou reações ácidas. No dia 4 de março, o crítico e jornalista Miguel Esteves Cardoso chegou a desejar "sinceramente que a Leya se foda", em um artigo de opinião para a versão impressa do Público, jornal de maior circulação em Portugal. Até a ministra da Cultura Gabriela Canavilhas resolveu manifestar-se, afirmando em entrevista ao jornal i que a destruição de milhares de livros pelas editoras lusas é "um massacre" e "o Ministério da Cultura irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar a destruição de livros, que afinal é uma pratica regular e generalizada". Ironicamente, ao fazer as declarações, a ministra encontrava-se em Maputo, capital de Moçambique, onde compareceu à cerimônia de entrega do último Prêmio Leya, vencido pelo escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho.

Em defesa, o Grupo Leya enviou comunicado à Agência Lusa, no qual atesta que a destruição de livros é uma medida extrema e é "já claro à data de hoje que a redução de stock de livros por via de reciclagem é algo inerente ao próprio mercado editorial, português e mundial". Em entrevista ao Diário de Notícias o secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, Miguel Freitas da Costa, alega a guilhotina (termo usado em Portugal) de livros ser uma prática comum: "não estou a dizer que todas as editoras já o fazem, mas é uma tendência que se detecta e que gradualmente se massificará", disse.

Episódios do tipo acontecem com mais freqüência do que se fica sabendo. O escritor venezuelano Fernando Báez chegou a registrar em sua História Universal da Destruição de Livros (Ediouro), fruto de doze anos de pesquisa, que "os worst-sellers são os livros nunca comprados e finalmente deteriorados: quase sempre passam para as mãos de uma equipe de produção que procura um rápido final para eles". Ao lado de perseguições étnicas, políticas e religiosas, pelo visto as editoras também representam uma ameaça aos livros. É algo corriqueiro, logo abaixo dos nossos narizes, e que não costuma receber muita reflexão ética.

E aqui no Brasil, você já ouviu falar de prática semelhante?

O que será que as grandes editoras fazem com o seu encalhe?





tags: jornalismo-midia estoque mercado-editorial portugal preservacao destruicao-de-livros armazenamento


 
O critério para destruir, no caso dos livros portugueses, foi o simples encalhe.È preocupante, pois os livros destruídos e referidos na reportagem, tinham valor artístico e histórico e quem incinera tais livros, segue apenas o critério da caixa registradora.Mostra miopia empresarial e falta de cultura na expressão mais simples.Doar livro encalhado mas valioso, também promove quem doa. Por outro lado, imagino as cordilheiras de inutilidades que existem por aí, sequer cogitadas para reciclagem,uma forma mais inteligente que queimar.Gostei da matéria.No Brasil, tais procedimentos sequer chegam á mídia, imagino.

andre albuquerque · Recife (PE) · 10/3/2010 19:33
Nunca se pronunciam sobre isso. No entanto, quero acreditar que não se fazem tais alucinadas atitudes por aqui. Só que, não tenho tanta certeza assim.

Paola Rhoden · Brasília (DF) · 10/3/2010 23:13
Eu não sabia que isso acontecia. Para mim é uma atitude de desperdício. Se as editoras necessitam se livrar deste material estocado, cabe poderiam fazer uma preço quase de custo para sebos, poderiam doar para bibliotecas públicas, enviar para países que necessitam estímulo para leituras (8 países falam língua portuguesa).O Ministério da Cultura aqui no Brasil poderia estabelecer algum tipo de cooperação com o governo de Portugal, receber o os livros e doá-los através de um tipo de "bolsa leitura".

Alê Barreto · Rio de Janeiro (RJ) · 14/3/2010 02:03
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