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26 poetas hoje digital
Felipe Pontes, Rio de Janeiro (RJ) · 9/2/2010 · 4
Divulgação
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Capa do último livro de Heloisa Buarque

"Frente ao bloqueio sistemático das editoras, um circuito paralelo de produção e distribuição independente vai se formando e conquistando um público jovem que não se confunde com o antigo leitor de poesia."

O parágrafo acima poderia se referir ao novo paradigma surgido com a era digital, ou às dezenas de saraus de poesia que surgem hoje na perifeira de São Paulo, mas não. Consta no prefácio escrito por Heloisa Buarque de Hollanda para o livro 26 poetas hoje (Aeroplano, 2007, 6° ed.), em 1975. Naquela época, enquanto no mundo girava a roda de aquários e a geração hippie, inspirada na sua predecessora beat, vivia sua onda, no Brasil corria solta a censura e a repressão militar. Foi o período do chamado vazio cultural, diagnosticado pelo jornalista Zuenir Ventura e decorrente do silenciamento forçado das vozes criativas.

À margem das atenções, pelo seu poder de audiência reduzido, a poesia tornou-se uma área de livre manifestação, abarcando frustrações, fosse da juventude, fosse da esquerda. Proliferavam os volumes de produção independente, vendidos diretamente pelo autor, impressos em mimeógrafos, confeccionados com originalidade e esgotados rapidamente. A poesia, pelo menos no Rio de Janeiro, acontecia e parecia estar em toda parte: em recitais, lançamentos, portas de teatro e bares da moda.

O livro organizado por Heloisa tinha por intenção "reunir num livro 'de editor', e, portanto num livro que se insinuasse num circuito mais amplo, manifestações isoladas ou praticamente isoladas, que eu percebia como importantes no campo da cultura e no campo da literatura", disse a crítica literária à revista José no ano seguinte da publicação do livro. Os poetas escolhidos, de diferentes gerações e motivações, portanto desorganizados como grupo, eram todos praticantes de uma mesma dicção ligada ao cotidiano e donos de uma atitude de desierarquização do espaço nobre da poesia: uma revisitação mais forte do ideal modernista de 1922. 26 poetas hoje (Aeroplano) foi além do pretendido e virou espécie de retrato oficial do que é considerado o último grande rótulo da poesia brasileira: a poesia marginal.

Logo de cara, o livro obteve enorme repercussão nos jornais e atiçou como nunca o meio acadêmico, impulsionando a carreira de crítica literária da já estabelecida professora universitária Heloisa Buarque. Essa história está contada em Escolhas: uma autobiografia intelectual (Lingua Geral): "Para meu espanto, a antologia teve uma repercussão inexplicável. Sou convidada para conferências, seminários, entrevistas. O pequeno volume da Editora Labor foi resenhado e escrutinado em um sem número de jornais e revistas. Os jornalistas se entusiasmavam com uma 'novidade' para os espaços melancolicamente vazios de seus cadernos e suplementos culturais. Os professores e criticos dividiam-se frente à uma possivel 'agressão' à instituição literária", escreveu Heloisa no seu mais recente livro.

Hoje, 26 poetas hoje (Aeroplano) transformou-se em uma antologia clássica. Os poetas nela presentes, por ironia, se tornaram cânone e temas de teses de mestrado e doutorado, quando antes eram sequer considerados literatura. Alguns já estão mortos, como Torquatto Neto, Ana Critina César e Waly Salomão; outros ainda vivem a poesia, como Roberto Piva e Chico Alves; um, Roberto Schwartz, um dos maiores críticos literários em atividade; outros, como Chacal, Capinam e Geraldo Carneiro, roteiristas e compositores.

Agora ambos os livros - 26 poetas hoje (Aeroplano) e Escolhas (Lingua Geral) - foram disponibilizados para download na íntegra por Heloisa Buarque em seu site oficial e aqui, no Portal Literal.

>Leia mais sobre Escolhas: uma autobiografia intelectual (Lingua Geral) de Heloisa Buarque de Hollanda aqui.

>Acesse a Enter, antologia digital realizada por Heloisa Buarque em 2009.

>Leia a entrevista de Heloisa Buarque ao jornal O Estado de São Paulo por ocasião do lançamento de Escolhas: uma autobiografia intelectual (Lingua Geral).





tags: literatura heloisa heloisa-buarque-de-hollanda antologia anos-70 poesia poesia-marginal


 
Desculpem-Me de Antemão pela Mensagem Direta - Mas pelo Menos Aqui Tenho Certeza de que Vocês Não Farão Vistas Grossas - Está Passando da Hora de Viver do Passado e da Auto-Promoção! Está na Hora de Arrumar a Casa. Este É ou Não É um Portal Colaborativo? Agradeço pela Atenção. http://portalliteral.terra.com.br/forum/ajuda-com-o-site/poluicao-do-portal

Jorge Xerxes · São José dos Campos (SP) · 11/2/2010 08:43
A poesia é a livre manifestação de idéias colocadas dentro de um contexto poético. As escolhas são livres, os comentários também. Gosto especialmente das idéias da Heloísa a respeito da diversificação cultural. Gostei do texto acima. Estamos na era digital e no séc. XXI. Penso que as críticas são exageradas e a discussão também. Costumo postar no banco e não recebi nenhum email ofensivo. Sei dialogar com quem me escreve e entendo as posições que são diferentes das minhas. Só voto quando o texto me toca, tenho discernimento. Não pedi votos para ninguém. Quando me pedem um comentário independente de voto, eu o faço se quiser. Converso com outras pessoas e gosto desse contato educado. Não voto em textos com erros graves de linguagem. Eu escolho e gosto da liberdade que o Portal nos oferece para sermos o que somos, nem mais e nem menos. Gostei de ler esse texto do Felipe, repito. Todos temos a oportunidade de ler ou não os textos postados, de votar ou não, e de comentar ou não. Temos a oportunidade de enviar uma mensagem ao Portal dizendo que o texto está em local inadequado e de expor o motivo pelo qual chegamos a essa conclusão. Então, é só termos um pouco de coerência e seguir as regras do Portal, que não haverão mais propagandas indo para a fila de votação de artigos ou links. Depende também de nós mesmos o sucesso de onde estamos. Agradeço a quem quiser ler este comentário.

Yayá · Curitiba (PR) · 12/2/2010 22:13
Gostaria de parabenizar a iniciativa do site de proporcionar em mídia digital gratuitamente este pool de informações que nos é dada neste livro da autora e editora Heloísa Buarque de Holanda. A "doença da escrita" muitas vezes nos acomete sem vir com explicações, nomeações, concursos, prefácios e roteiro. Simplesmente somos acometidos pela compulsão às letras sem nem ao menos dar-nos conta que estamos inseridos em um contexto histórico-cultural com um "continum" de tempo ao longo da história. Há, sem dúvida, personalidades estratégicas que tem a capacidade de síntese e penetração social que podem nomear, identificar "a ondulação da onda no alto mar", estas pessoas fazem a diferença no contexto literário do ponto de vista econômico e social. São estas pessoas que definem quem é onda e quem é espuma no mar. Gostei do livro pois mostra um âmbito de observação analítica do processo evolutivo da literatura que não havia percebido anteriormente, mesmo porque não tenho formação literária. Aí então que vejo o grande pulo do gato, a popularização da cultura através da mídia digital. Ouso dizer hoje, do alto da minha pequenez literária, que neste processo Heloísa se torna não só a pessoa capaz de perceber a ondulação, mas aquela que movida pela força de sua personalidade e pela força dos atos da sua vida literária, ergue, tal qual feiticeira, seu braços e transforma a ondulação em uma Tsunami. E nós? Apenas gotas neste oceano literário, mas nem por isso menos mar.

ana lyra · Torres (RS) · 17/2/2010 15:05
Uma antologia que degustarei aos poucos. Bela, inusitada... Rica na exploração da linguagens para além da impressão.

Bruno Resende Ramos · Teixeiras (MG) · 17/2/2010 20:55
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