As coisas são.
Não escolhem ser.
Umas rolam, flutuam assim
são retráteis e podem ser
muito úteis.
Outras podem ser abraçadas
pressentidas guardadas
sob um sono vigilante.
As coisas também são livres —
essas exigem todo o cuidado
— e súbitas:
a boca frustrada
em forma de beijo.
Existem as coisas
escondidas: em invólucros
caixas bolsos gavetas
cofres palma de mão.
Mas também no pensamento
no canto do olho
na curva
dos teus lábios.
As coisas aliás
nascem e algumas
tombam das árvores.
Às vezes são pássaros
às vezes, orvalho.
Muitas são perigosas
trafegam pelas ruas
rasgam o escuro da noite
te cravam um olhar
um revólver, te matam.
Mas há as coisas
que são silenciosas e te entendem
como as mãos
de uma enfermeira
ou colo de mãe.
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