ANOMALIAS
Obscenos cenários de gente,
anomalias sociais
que se confundem
no obscuro das faces
que estranhamente se fundem.
Formas geométricas
que formam fisionomias medonhas,
melancolias, gente bizarra
que no abstrato das ambições
ainda sonha.
Edifícios de medos,
tédios que se empilham
num amontoado de iras
que se cruzam
num silêncio de poucas palavras.
Frases perdidas
que escapam do significado das bocas,
que, mortas, cospem semânticas anormais
entre catarros e automóveis,
bucólicos seres que se movem
em rançosos vícios e morais.
Paulo Franco
Do livro NOTAS DAS HORAS
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