Resumo
Desde sua criação em 1911, a prova de ingresso à Universidade Pública sempre foi um empasse na vida dos estudantes brasileiros. Ora por ser muito disputada, ora por ser cobrado conteúdos, que muitas vezes não fazem parte da maioria das grades curriculares das escolas de ensino médio. Poucos são os alunos de escolas públicas, que conseguem ingressar no ensino superior, em instituições também públicas. Na maioria dos casos o que se vê com freqüência são os alunos de ensino privado ou provenientes de cursinhos preparatórios, que fazem um treinamento intensivo de questões que possam cair nas provas, os chamados simulados. Ou ainda estudantes que possuem o dia inteiro livre para estudar, aqueles que não precisam auxiliar na renda familiar. Estes geralmente possuem maior facilidade no acesso. As universidades públicas não oferecem o número de vagas necessárias a demanda e o vestibular não vêm sendo a maneira mais eficaz de avaliar o conhecimento de um jovem, é um método excludente e elitista. Excludente porque elimina muitas vezes o aluno que não teve a oportunidade nem o acesso a qualidade de ensino, elitista porque favorece o aluno de status social. Torna-se necessário então a presença de políticas públicas que favoreçam a todos os jovens de todos os estratos sociais, seja com a construção de novas universidades que supra a necessidade da demanda, seja com critérios mais eficazes na forma de avaliar aos jovens que saem do ensino médio e que buscam mais dignidade.
Resumen
Desde su creación en 1911, la prueba de admisión a las universidades públicas ha sido siempre un problema en la vida de los estudiantes brasileños. Sin embargo, lo más controvertido, ya sea por estar cargado de contenido, que a menudo no son parte de la mayoría de los planes de estudios para los grados de escuela secundaria. Pocos estudiantes de las escuelas públicas, que pueden entrar en la educación superior en instituciones públicas también. En la mayoría de los casos lo que se ve a menudo son los estudiantes de la enseñanza privada o el curso de la historia, que son intensivos de formación de las cuestiones que pueden caer en la evidencia, la denominada simulado. O estudiantes que tienen todo el día libre para estudiar, los que no necesitan ayuda de los ingresos familiares. Las universidades públicas no ofrecen el número de vacantes necesarias para la demanda y “vestibular” no han sido la forma más eficaz para evaluar los conocimientos de un joven, es un método exclusivo y elitista. Excluyente porque elimina muchas veces el estudiante que no ha tenido la oportunidad ni la acceso a una educación de calidad, ya que favorece a la elite de estudiantes de condición social. Es necesario entonces la presencia de políticas públicas para alentar a todos los jóvenes de todos los estratos sociales, es la construcción de nuevas universidades que deben estar por encima de la demanda, con criterios para ser más eficaces a fin de evaluar la salida de la joven la escuela secundaria y la búsqueda de más dignidad.
HISTÓRICO DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
Os primeiros sinais de educação no Brasil apareceram no período colonial, com os índios que habitavam o país até 1500. A transmissão dos saberes era repassada aos jovens pelos mais velhos das tribos. Eles repassavam a cultura do povo, de forma asistêmica. Com a inexistência de instituições escolares, as aulas aconteciam em qualquer lugar e a qualquer momento. Os mais jovens aprendiam a pescar, a caçar, a dançar e a adorar os deuses, que para eles eram os elementos da natureza.
Com a chegada dos portugueses ao Brasil, datada em 22 de abril de 1500, chega também um novo jeito de ensinar. Em 1549 iniciou-se a escola jesuítica , com seis sacerdotes, que tinha como objetivo a salvação das almas dos indígenas, pois pensavam que os habitantes primitivos não possuíam almas, seguindo o mesmo que faziam com os escravos negros. A escola jesuítica permaneceu por 210 anos no Brasil e foi substituída no período pombalino. O primeiro ministro da república Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido historicamente como o Marquês de Pombal, expulsou os jesuítas levando com eles a educação baseada no ratio studiorum , pois acreditava que a educação deveria ter por objetivo o ensino baseado no interesse do estado e não no interesse da igreja. Neste período os filhos dos brancos eram mandados para estudar nas melhores escolas da Europa, pois a instrução representava ascensão social.
Não havia, pois, na Colônia estudos superiores universitários,
a não ser para o clero regular ou secular [...] para os que não se destinavam ao sacerdócio, mas a outras carreiras, abriase,
nesse ponto de bifurcação, o único, longo e penoso caminho
que levava às universidades ultramarinas, à de Coimbra [...] e à
de Montpellier [...]. (Azevedo, 1971, p. 532)
Pode-se confirmar aqui que começam as primeiras relações entre estado e educação e segundo Teixeira Mendes (apud Cunha, op. cit.,p. 99) algumas tentativas sistematicamente frustradas de estender aos colégios jesuítas as prerrogativas universitárias nos dão conta da intencionalidade da coroa portuguesa de manter a dependência com relação à Universidade de Coimbra, a rigor, a única universidade existente em Portugal (já que a outra universidade existente no Reino, a de Évora, nunca teve as mesmas prerrogativas que Coimbra). Além do caráter pragmático que marcava a quase totalidade dessas iniciativas, cumpre destacar também o seu caráter laico e estatal. De fato, essas instituições foram criadas por iniciativa da Corte Portuguesa, e foram por ela mantidas, continuando a sê-lo pelos governos imperiais, após a nossa independência política.
Com o ratio studiorum as instituições Jesuíticas foram reformuladas, passando os religiosos a atender às famílias influentes, ministrando-lhes especialmente clássicos, humanísticos, literários, acadêmicos, artísticos e abstratos, conduzindo à sociedade brasileira a atribuir status social, pois era um processo elitista. Após quase um século de ausência, os jesuítas retornaram e fundaram colégios em várias cidades brasileiras,sendo fundamentais para o ensino secundário. Com a chegada da industrialização no final do século XIX, eram poucos os escolarizados brasileiros, não sendo suficiente para atender as necessidades econômicas do país. Como a educação era elitista foi criado o ensino profissionalizante para o povo e outro paralelo para a elite.
As primeiras tentativas de fundações voltadas ao ensino superior foram cinco faculdades, 2 de Direito, em São Paulo e Pernambuco, 2 de Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro e 1 Politécnica também no Rio de Janeiro. Algumas tentativas foram mal sucedidas, pois não atendiam as necessidades adequadas a implantação legal da instituição superior. A Universidade do Rio de Janeiro, em 1920, a Universidade do Paraná, em 1912, (reconhecida somente em 1946),e a Universidade de Minas Gerais , 1927, não foram reconhecidas oficialmente.
Com a revolução de 1930 e o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova nasce a primeira Universidade no Brasil. Em 25 de janeiro de 1934 é inaugurada a Universidade de São Paulo ( USP), criada e organizada segundo as normas do Estatuto das Universidades ( Decreto n 19851), datado em 11/04/1931, com a novidade de possuir a faculdade de Filosofia, Letras e Ciências. O decreto institui o Estatuto das Universidades Brasileiras que dispõe sobre a organização do Ensino Superior brasileiro e adota o Regime Universitário.
Art. 1º O ensino universitário tem como finalidade: elevar o nível
da cultura geral;;;; estimular a investigação científica em quaisquer
domínios dos conhecimentos humanos;;;; habilitar ao exercício de
atividades que requerem preparo técnico e científico superior;;;;
concorrer, enfim, pela educação do indivíduo e da coletividade
pela harmonia de objetivos entre professores e estudantes e pelo
aproveitamento de todas as atividades universitárias, para a
grandeza da Nação e para o aperfeiçoamento da humanidade.
Entende-se então por universidade, instituições pluridisciplinares de formação dos quadrosprofissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber
humano, conforme disposto no Art. 52 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB) – Lei nº 9.394, de 20/12/1996.
Com a Reforma Universitária, de Francisco Campos, ministro da época, em 1968 instituiu-se um grupo de trabalho que gerou a lei n. 5540, chamada de lei da Reforma Universitária. Eliminava a cátedra, que significou ao longo da história do magistério superior o cargo do professor catedrático, obtido por concurso e no sentido clássico compunha a carreira universitária e significava a culminância de um trabalho acadêmico de ensino-pesquisa-extensão. Significava a maturidade acadêmica. Somente poderia ser um catedrático aquele que submeteu sua vida a longos e profundos estudos. A lei instituía a departamentalização acadêmica, que significa o agrupamento de atividades em unidades organizacionais e o agrupamento dessas unidades em uma organização total. As unidades organizacionais constituem os subsistemas do sistema maior e são geralmente chamadas dedepartamentos,divisões,seções ou equipes. A lei instituía também o sistema de matrícula por disciplina, os ciclos básicos e profissionais, os vestibulares classificatórios, os colegiados de cursos, os conselhos de pesquisa e ensino.
Historicamente por ser uma Universidade “caçula”, jovenzinha a universidade brasileira já apresenta bons resultados, como o projeto Genoma, realizado na Universidade de São Paulo, que tem por objetivo identificar e fazer o mapeamento dos cerca de 80 mil genes que se calculava existirem no DNA das células do corpo humano; determinar as seqüências dos 3 bilhões de bases químicas que compõem o DNA humano e armazenar essa informação em bancos de dados, desenvolver ferramentas eficientes para analisar esses dados e torná-los acessíveis para novas pesquisas biológicas. Porém ainda apresenta grande deficiência na estrutura física, organizacional, administrativa, que requer tempo e planejamento gestor para atender as necessidades culturais, econômicas e sociais da população brasileira.
VESTIBULAR
A palavra VESTIBULAR tem sua origem no latim, assim como a maioria dos vocábulos da língua portuguesa. VESTIBULUM do latim que significa “entrada”, espaço entre a rua e a porta de entrada de um edifício. Para Almeida a ideia de que o exame de acesso era uma passagem estreita já remetia à idéia de que era algo restrito. Neste caso, a palavra vestibular começou a ser empregada, para designar as provas de exame de conteúdos, realizado no final do ensino médio, para ingressar aos cursos universitários ou centros técnicos de ensino superior, no ano de 1911.
O vestibular caracteriza-se normalmente como uma prova de aferição dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental e médio, sendo o principal meio de acesso ao ensino superior no Brasil. É realizada a inscrição dos candidatos quando os mesmos estão terminando ou já concluíram o ensino médio. É o mais importante critério de seleção de candidatos, utilizado tanto pelas instituições públicas quanto privadas de ensino superior. Tem maior significado nas instituições públicas, que por sua gratuidade e possuir maior reputação de um ensino de qualidade são geralmente mais procuradas e mais disputadas. Tais exames são aplicados por fundações ou comissões especialmente criadas para tal fim. Há também alguns vestibulares de instituições privadas bastante concorridos.
Os vestibulares mais concorridos do Brasil são:
• FUVEST, para a Universidade de São Paulo
• VUNESP, para a Universidade Estadual Paulista
• COMVEST, para a Universidade de Campinas
• Instituto Tecnológico de Aeronáutica
• Academia da Força Aérea
• Instituto Militar de Engenharia
• Universidade Federal de Goiás
• Universidade Federal de Minas Gerais
• Universidade Federal do Rio de Janeiro
• Universidade de Brasília
• Universidade Federal do Paraná
• Universidade Federal Fluminense
• Universidade Estadual do Rio de Janeiro
• Universidade Federal de Uberlândia
• Universidade Estadual de Londrina
• Universidade Estadual de Maringá
Otreineiro é o jovem estudante do ensino médio (que ainda não o concluiu) que é autorizado a participar do Processo Seletivo de uma instituição como forma de “treinamento”. Grande parte das maiores Universidades do Brasil oferecem essa oportunidade de vivenciar e se familiarizar com os pequenos detalhes do vestibular e se preparar psicologicamente melhor quando for encarar o vestibular pra valer. É o caso da FUVEST, da UNICAMP, a UNESP e a UNICAMP. A cada ano aumenta o número de alunos interessados neste treinamento.
ORIGEM E EVOLUÇÃO DO VESTIBULAR COMO INGRESSO ÀS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
No Brasil colônia e Império o ensino superior foi ministrado nas universidades de Paris ou de Coimbra, com acesso restrito aos filhos de elite e era proibido a abertura de faculdades. Em 1808 surgem as primeiras faculdades no Brasil . A primeira faculdade foi a Fameb- Faculdade de Medicina da Bahia, fundada no dia 18 de fevereiro de 1808, por Dom João VI, logo após o desembarque da família portuguesa em Salvador (BA), e como havia poucas vagas em alguns cursos, foram instituídos os exames preparatórios para os cursos superiores existentes no Brasil. Os exames preparatórios era a avaliação do conhecimento nas disciplinas exigidas para o curso escolhido.
Almeida (2007), professora Doutora em Educação ressalva que para cada curso superior havia um rol de matérias específicas exigidas nos exames. Normalmente esses exames eram realizados após cursos preparatórios oferecidos pelas escolas superiores, embora sem freqüência obrigatória. As provas incluíam questões escritas e orais, e podiam ser feitas de forma paralela. Até 1824 essa era a única forma de acesso ao ensino superior e em 1825 o que acrescentou é que só poderia ter este acesso os aluno que tinham concluído o ensino secundário, como era chamado o ensino médio atual. “No Brasil de então não havia o sistema de colégios e as aulas do ensino secundário eram dadas de forma avulsa por professores nomeados pelo rei. Como nem todas as províncias tinham professores de todas as cadeiras cobradas nos exames, os alunos podiam fazer a prova de uma matéria em determinada data, viajar para estudar as demais disciplinas em outras províncias, e só depois realizar a outra parte do exame”, explica Ameida.
Em 1843 inicia-se uma fase diferenciada no acesso à educação superior. Um decreto do Poder Legislativo passa a permitir ao aluno, que concluiu o ensino secundário no Colégio Pedro II 5 , o ingresso em uma faculdade, sem ter de se submeter aos exames preparatórios. Vale ressaltar que este colégio era uma instituição aristocrática e destinada a oferecer a cultura básica necessária às elites dirigentes, e a boa sociedade formada por aqueles que eram brancos, livres e proprietários de escravos e terras. Percebe-se aqui que é histórico o fato de que a minoria tem direito à dignidade e à instrução. Na época do Império havia 8.800,000 habitantes e somente 1,2% de alunos estavam matriculados. Posteriormente, esse privilégio foi estendido aos estudantes diplomados em outras escolas de boa reputação.
Algumas leis, decretos e portarias foram dando continuidade à história do ingresso ao ensino superior. O decreto 1.331, A de 17 de fevereiro de 1854 que instituía as Bancas de Exames Preparatórios . Em 1856 a Portaria de 4 de maio que visava centralização do curso secundário e dos Exames Preparatórios e o regulamento das aulas preparatórias das Faculdades de Direito. Em 1869 o decreto 4.430 de 30 de outubro, onde a disciplina de português passo Em 1873 foi fixado o decreto 5.249 de 2 de outubro que instituía mesas gerais de Exames nas Províncias onde não havia Faculdades.
Em 1890 a partir do decreto 981 de 8 de novembro, dentro da Reforma Benjamin Constante, é criado o exame de madureza6, uma nova forma de seleção que alarga um pouco mais as possibilidades de acesso à faculdade. Concebido como uma prova de saída do ensino secundário, ele acaba se tornando uma prova de entrada na educação superior. A prova era composta de questões de Língua Portuguesa e Literatura Nacional, Matemática e Astronomia, Física, Biologia, Sociologia, Geografia e História, que se parece muito com o ENEM ( Exame Nacional de Ensino Médio) criado em 1.999. O exame de madureza foi aplicado até 1896.
O decreto 668 de 14 de novembro de 1891 previa a regulamentação das disciplinas dos Exames Preparatórios, a saber: português, francês, inglês, alemão, latim, aritmética e álgebra, geometria e trigonometria, geografia especialmente do Brasil, história universal, física e química e historia natural. Em 1896 o Decreto 9.647 de 2 de outubro que condicionava a realização das provas das demais disciplinas à aprovação em Português.
Até 1911 os exames preparatórios, o diploma do Colégio D Pedro II e o exame de madureza foram os únicos métodos utilizados para ingressar no Ensino Superior. Neste mesmo ano nasce o Vestibular. Com a reforma Rivadavia da Cunha Correa ( político na época) o decreto 11.530 cria a obrigatoriedade do exame de admissão, definindo os critérios das provas, existência de bancas, calendário e taxas de inscrição. O vestibular aparece pela primeira vez, quando figuras notórias como Rui Barbosa, passaram a defender o ensino secundário, que só entrou em vigor a partir de 1925.
Entre as décadas de 1930 e 1950, a quantidade de candidatos era baixa, exceto para as carreiras de Engenharia, Medicina e Direito. Na década de 60, enquanto em alguns cursos a concorrência não passava de três por vaga, em outros a situação já se complicava para os docentes avaliadores. Na década de 40 muitos jovens, alegando ser superdotados entravam nas universidades sem ter concluído o ensino médio. Este era submetido a uma banca de três avaliadores, professores do curso pretendido, sem nenhuma pressão de tempo, respondiam oralmente ou em uma pequena lousa questões de matemática, química, física, português e biologia. O resultado final era afixado nas paredes do próprio instituto e a seleção tinha um caráter eliminatório e não classificatório, o que quer dizer que se houvesse 40 vagas, mas apenas 27 candidatos aptos à carreira, então 13 vagas ficariam ociosas, pois naquela época a universidade não era obrigada a preencher todas as vagas. Isto só mudou na década de 1970, com o crescimento vertiginoso de candidatos.
Em 1964 é criada a Fundação Carlos Chagas, o CESCEM que foi criado para seleção dos candidatos a vestibulares, em São Paulo, com questões de múltipla escolha, processadas em computadores. A experiência foi logo disseminada para outros estados e absorvida na legislação educacional.
Em 1968 estoura o movimento de excedentes, candidatos aprovados com média mínima, porém, sem vagas. Para solucionar o problema é criada a Lei n. 5540 que passa a instituir o sistema classificatório por nota máxima, fixando normas de educação. A Reforma Universitária muda o perfil do vestibular. De exame, que aprovava ou não o aluno, passou a ser concurso e a adotar a classificação como critério de ingresso.
No ano de 1970 é criada a Comissão Nacional do Vestibular Unificado, para organizar o sistema no país. Seis anos depois, a USP unifica seu vestibular com a criação da Fuvest, que realiza sua primeira prova em 1977, avaliando também candidatos das duas outras universidades estaduais, a Unicamp e a Unesp. Na década seguinte, ambas decidem realizar exames separados. O vestibular ou o Concurso de Habilitação manteve-se como única forma de ingresso no ensino superior até 1996.
Em 1971, as condições para o ingresso na Universidade foram fixadas pelo decreto n. 68908, de 13 de julho de 1971, que dispôs sobre o Concurso Vestibular. Esse decreto depois de regulamentado por portarias ministeriais, previa o vestibular classificatório que eliminava, de uma vez por todas, o problema jurídico dos excedentes e determinava que a sua execução fosse realizada ao mesmo tempo, em todo o Território Nacional, ou pelo menos para diferentes regiões. Além disso, previa que as provas fossem idênticas para toda a Universidade ou grupo de instituições interessadas, bem como previa sua gradativa unificação para regiões cada vez mais amplas. Dispôs ainda que as provas se limitassem, daí para frente, a conteúdos relativos às disciplinas obrigatórias do ensino médio. p. 229 ( otaiza de oliveira romanelli/ 1984)
A Fuvest altera suas provas,em 1994, ampliando a fase de Conhecimentos Gerais. A primeira fase passa a ser eliminatória. Com a criação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB)7 que determinava que o acesso à Educação Superior teria de ser feito por processos seletivos, a critério de cada escola ,então as instituições passaram a ter liberdade de realizar outras formas de seleção e classificação.
Além dos critérios estabelecidos individualmente por instituição em 2004, o MEC lança o PROUNI8, que usa o ENEM9 para dar vagas na rede particular para alunos da escola pública.
Em 2009, parte dos alunos de escolas particulares ou públicas, não será mais avaliada pelo tradicional vestibular, mas por meio de outro sistema, anunciado pelo Ministério de Educação, no mês de abril deste referido ano. O novo exame trata-se da maior mudança desde que o vestibular foi criado e tem como objetivo privilegiar a capacidade de pensar do aluno e não a memorização pura. E o melhor será uma prova unificada em todo o território nacional, para as universidades que aderirem ao novo processo de seleção.
Segundo Lamarra (p.38/2002) “ La evaluación debe ser entendida como una política publica para garantizar una expansión de la educación superior con calidad académica y relevancia social” , oxalá esta nova forma de avaliação para o ingresso nas universidades brasileiras seja a mais adequada ou talvez a mais coerente para os interesses de um mundo globalizado e cheio de problemas elencados.
Problemas financeiros, governamentais, sociais, políticos, familiares e educacionais. Muitos destes, perturbam diretamente o ser humano na busca de instrução e automaticamente servem de entraves que os impedem de ter uma vida mais digna na sociedade e a infiltração no mercado de trabalho, atualmente tão concorrido e exigente.
MUDANÇAS PARA O VESTIBULAR 2009
Os dados abaixo foram publicados pela Revista Época em 1999, da Editora Globo, extraídos, da fonte MEC, sobre o que é novidade no vestibular /2009.
1 - Extingue-se o Enem e todos os processos de seleção (ou parte deles) usados atualmente pelas instituições federais de ensino superior brasileiras.
2 - As instituições estaduais ou particulares também poderão optar pela nota desse sistema como forma de processo seletivo .
3 - O ingresso nas universidades será avaliado através de uma nova prova, apelidada de "novo Enem", e uma única nota será usada na classificação dos candidatos.
4- As provas serão iguais em todo o país .
5 - O novo exame terá 200 ( em 2009 serão 180) questões de múltipla escolha e uma redação que será aplicado em dois dias, com cinco horas de duração, por dia . O formato de prova será especifico para área escolhida, com questões objetivas e dissertativas que seguem uma linha interdisciplinar.
6 - Os estudantes terão cinco opções de cursos e instituições para escolher em todo o Brasil, que devem ser colocadas em ordem de preferência.
7 - Os alunos receberão suas notas antes de se inscreverem nos concursos das faculdades e poderão, ao longo do processo, consultar as médias dos demais candidatos inscritos à vaga que desejam e mudarem de curso.
8 - As notas do "novo Enem" serão válidas por dois anos, ou seja, nesse período, os feras poderão apresentar a mesma nota às universidades.
9 - O Ministério da Educação admite quatro formas de adesão do "novo Enem" para as 55 universidades federais: como fase única; como primeira fase; como fase única para as vagas ociosas após o vestibular; ou combinado ao atual vestibular da instituição.
10 - A primeira avaliação do "novo Enem" será nos dias 3 e 4 de outubro deste ano e cada universidade optará ou não pelo mesmo, as inscrições do dia 15 de junho a 17 de julho. Os alunos de escolas públicas não pagam a inscrição e os de escolas privadas pagam 35 reais.
UNIVERSIDADES QUE ADERIRAM AO NOVO SISTEMA, POR REGIÃO
Norte
1. Universidade Federal da Amazônia (UFAM): A nota do Enem será usada como fase única para preencher 50% das vagas.
Nordeste
2. Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf): Adota o Enem como fase única e para vagas remanescentes.
3. Universidade Federal da Bahia (UFBA): Adota como fase única para os cursos da modalidade Bacharelado Interdisciplinar e o curso superior de tecnologia.
4. Universidade Federal de Sergipe (UFS): Vai utilizar o novo Enem para preenchimento de vagas remanescentes.
5. Universidade Federal do Maranhão (UFMA): Adota o Enem como fase única e para vagas remanescentes.
6. Universidade Federal do Piauí (UFPI): Adota como fase única para 50% das vagas e para preencher vagas remanescentes.
7. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE): Adota o Enem como primeira fase.
8. Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE): Adota o Enem em fase única e para preenchimento de vagas remanescentes.
9. Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa): Adota o Enem em fase única e para o preenchimento de vagas remanescentes a partir de 2009.
10. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB): O novo Enem será utilizado como fase única para 70% das vagas ofertadas e na composição da nota do aluno para os 30% de vagas restantes. As vagas remanescentes também serão preenchidas pelo Enem.
Centro-Oeste
11. Universidade Federal de Goiás (UFG): Já utiliza 20% da nota do Enem na primeira fase do vestibular.
12. Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT): Já utiliza 20% da nota do Enem combinada ao resultado do vestibular tradicional.
13. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS): Adota o Enem como primeira fase e para o preenchimento de vagas remanescentes.
14. Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD): Adota o Enem apenas para o preenchimento de vagas remanescentes.
Sudeste
15. Universidade Federal do ABC (UFABC): Adota o Enem como fase única e para o preenchimento de vagas remanescentes.
16. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): Todos os cursos adotam o Enem pelo menos como primeira fase e para o preenchimento de vagas remanescentes.
17. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM): O Enem será utilizado como fase única para preencher 50% das vagas do processo seletivo, além das vagas remanescentes.
18. Universidade Federal de Viçosa (UFV): O Enem vai compor 50% da nota do vestibular e será adotado como critério para preencher as vagas remanescentes.
19. Universidade Federal Fluminense (UFF): O Enem será utilizado para compor parte da nota da primeira fase. A nota do exame também servirá como bônus de 10% a 15% para a nota da segunda fase de alunos das redes públicas.
20. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ): Adota como fase única e para o preenchimento das vagas remanescentes.
21. Universidade Federal do Espírito Santo (UFES): Aprovou o uso do Enem como primeira fase.
22. Universidade Federal de Alfenas (Unifal): Adota o Enem como fase única e para preencher vagas remanescentes.
23. Universidade Federal de Itajubá (Unifei): Adota o Enem como primeira fase.
24. Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF): O aluno poderá optar entre usar a nota do Enem na primeira fase ou fazer o vestibular tradicional.
25. Universidade Federal de Lavras (UFLA): O Enem será utilizado como fase única.
26. Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP): Já adota o Enem como 50% da nota da prova de Conhecimentos Gerais da primeira fase.
27. Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ): De 10% a 25 % das vagas serão preenchidas pelo Enem, como fase única. O exame também será utlizado para preenchimento de vagas remanescentes.
28. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio): Adota o Enem como fase única e para preencher vagas remanescentes.
29. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): Adota o Enem como primeira fase.
Sul
30. Universidade Federal do Rio Grande (FURG): O Enem vai compor 50% da nota do vestibular. Também será utilizado para preenchimento de vagas remanescentes.
31. Universidade Federal de Pelotas (UFPel): Adota o Enem em fase única e para as vagas remanescentes.
32. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC): O Enem vai compor 20% da nota do candidato. O aluno poderá optar por utilizar ou não a nota do exame no processo seletivo.
33. Universidade Federal do Paraná (UFPR): A nota do processo seletivo será composta pela combinação do resultado do Enem (10%) e do vestibular tradicional (90%).
34. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR): Adota o Enem em fase única.
35. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA): Adota o Enem como fase única e para o preenchimento de vagas remanescentes.
Universidades Novas* (que aguardam aprovação pelo Congresso para entrar em funcionamento):
* Todas adotam como fase única
- Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)
- Universidade Federal da Integração Amazônica (Uniam)
- Universidade Luso Afro-Brasileira (Unilab)
- Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
OUTROS MÉTODOS DE ACESSO À UNIVERSIDADE, UTILIZADOS NO MUNDO.
Primeiramente a chegada da industrialização e da tecnologia que trouxe a necessidade das pessoas se aperfeiçoarem cientificamente, capacitando-se para o mercado de trabalho, trouxe também a competição de mão de obra capacitada. Depois a globalização que anunciava o início de uma nova era. Em 2003, o autor Trigueiro já escrevia que a universidade deveria enfrentar as mudanças sociais e isto acontece desde sua criação, pois se muda a política, há a necessidade imediata de transformações adequadas a nova realidade. Em busca da aquisição de um diploma universitário as mudanças tiveram que ir adaptando novas estratégias, para que em um mundo globalizado todos os cidadãos pudessem ter acesso ao ensino superior. Em todo o mundo o objetivo maior deveria ser incluir todos, mas o que se consegue fazer é planejar políticas mais adequadas à inclusão da minoria, pois não há espaço físico suficiente nas universidades públicas e particulares, para atender a toda demanda.
Então o que se cria são estratégias de ingresso a esta demanda. Para cada país um jeito diferente de classificar ou de excluir. Bélgica e Argentina utilizam a seleção dentro da faculdade. O estudante entra para o curso de sua escolha e, só depois, conforme o desempenho que apresentar nos dois primeiros anos, é ou não eliminado, com base nas notas obtidas. Estados Unidos, China, Japão, Israel, Austrália e em alguns cursos na Itália e na França, assim como no Brasil costuma ser realizados exames de vestibular, que é uma seleção antes de entrar, por meio de avaliação de prova de conhecimentos adquiridos no ensino fundamental e médio.
Nos países de língua inglesa (Estados Unidos, Inglaterra, Austrália), como reforço às notas, procura-se a aplicação de outros métodos para ingressar às universidades. È realizado a avaliação de personalidade, em que o perfil do estudante é o que importa na hora da seleção. São usadas cartas de recomendação, entrevistas, testemunhos ou questionários biográficos. Este método é usado parcialmente na França (Grandes Écoles), na Alemanha (para medicina), na Espanha e no Japão. Um método polêmico, utilizado na Alemanha é o tempo de espera. O aluno é inscrito em uma lista de espera do curso que deseja fazer.
Em algumas escolas na Holanda é realizado um sorteio. Na Alemanha, já foi usado o mesmo método para o curso de medicina, através de cupons que os candidatos foram acumulando de acordo com as notas no ensino médio. Rubem Alves 10(2007), escritor brasileiro, que não concorda com o método vestibular iria adorar adotar a idéia. Pois para ele o vestibular não contribui para o desenvolvimento da capacidade de pensar, porque privilegia a memorização e acrescenta ainda que o sorteio seria a forma de libertar a educação da pressão do vestibular .
AS FORMAS MAIS CONHECIDAS NO ACESSO ÀS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
Nas Universidades Brasileiras há aproximadamente uma década buscou-se outras formas de ingresso a faculdades, visto que muitas vezes o aluno não se interessava em seguir seus estudos, pois haveria que enfrentar entre outros desafios, o de realizar a prova de vestibular tradicional, teria que pagar por isso e muitas vezes não teria o objetivo alcançado. As Universidades Privadas, são as que promovem processos seletivos via histórico escolar, no intuito de preencher as vagas excedentes em todos os cursos, que geralmente é realizado após o preenchimento das vagas obtidas com o resultado do vestibular tradicional.
O vestibular tradicional até 2008 era realizado na grande maioria em duas etapas. A primeira era composta por questões objetivas de múltipla escolha, comuns a todos os candidatos de todos os cursos. A correção se dava por meio de leitura ótica e é essa primeira etapa que dava a nota de corte de todos os cursos. A segunda etapa era conhecida como “discursiva”. O candidato respondia questões discursivas relacionadas à área do curso escolhido, geralmente através de uma redação dissertativa. Algumas instituições que utilizam o vestibular tradicional: UFPR e UFSC.
OUTROS MÉTODOS
Enem
Os estudantes que estão terminando ou que já tenham concluído o ensino médio podem fazer a prova do Enem - Exame Nacional do Ensino Médio. Esse exame começou em 1999 por iniciativa do MEC, é opcional, porém, até 2008 muitas instituições utilizavam as notas dos alunos com os mais variados critérios. Algumas instituições destinavam parte de suas vagas para candidatos que tivessem prestado o Enem. Outras estipulavam uma média que o estudante deveria atingir no Enem para usar sua nota como forma de ingresso. Outras ainda utilizavam a combinação da nota do Enem com a nota no vestibular. Os estudantes de escolas públicas não precisavam pagar a taxa de inscrição para prestarem a prova, que normalmente era realizada em agosto. A UNESP, a Unicamp e a FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) entidade que realiza o vestibular da USP, utilizam notas do Enem no processo seletivo.
Análise do histórico escolar e currículo
A classificação é feita pela média aritmética (geralmente simples) de todas as notas obtidas pelo candidato no ensino médio. Cursos de idioma, informática e outros, podem significar pontos extras para os candidatos. Esse tipo de avaliação não é muito comum. Instituição que utiliza essa forma de avaliação: UnC e várias universidades privadas.
Avaliação seriada
Para participar desse tipo de avaliação o aluno deve se inscrever logo no 1º ano do ensino médio. São realizadas três provas, uma no final de cada ano do ensino médio. Cada prova é composta por questões relativas a assuntos estudados durante o ano em questão. Após o término da terceira prova se obtém a média final. O aluno também pode optar por prestar o vestibular tradicional e depois disso escolher a sua melhor nota para concorrer a uma vaga na instituição. A grande vantagem desse sistema é que o aluno pode ir melhorando sua nota ano a ano. Instituição que utiliza o sistema de avaliação seriada: UnB.
Habilidade específica
Trata-se da avaliação de noções práticas e teóricas sobre a área do curso que o candidato pretende cursar. Alguns cursos como Arquitetura, Artes Cênicas, Artes Plásticas e Música podem ter provas de habilidade específica. Instituições que utilizam essa forma de avaliação: Universidade Mackenzie e UNEB.
Aptidão física
Normalmente são testes que verificam se o candidato possui resistência e está apto para realizar todas as atividades do curso. O curso de Educação Física pode utilizar esse tipo de avaliação para eliminar parte dos candidatos. Quem utiliza esse sistema: USP
Apesar das novas formas de avaliação, em especial o Enem, o vestibular tradicional continua a ser a principal forma de acesso à universidade. Ao certo está fugindo o controle, em todos os países o que se percebe são alunos ingressando às universidades de maneiras distintas, porém o que se vê em quase todas as formas de avaliação é a classificação inadequada ou adequada a um único paradigma. No Brasil historicamente, embora a abolição da escravatura já tenha sido documentada, ou existam leis com cotas para índios, negros e deficientes, o Vestibular continuará sendo uma forma de incluir o melhor( que em meu conceito seria o filhinho de papai que tem mais tempo para estudar ou aquele que continua estudando nos tantos “colégios Pedro II” espalhados pelo nosso país) e excluindo o pior ( aquele que mesmo sendo um nerd11 , não tem tempo livre para se aperfeiçoar ou condições financeiras para levar o curso até o tão esperado momento de receber o diploma).
ANÁLISE DE CURSOS E VESTIBULARES PÚBLICOS E PARTICULARES (2006 a 2008)
Os dados divulgados pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, juntamente com o Ministério da Educação, em dezembro de 2006, apresentaram um total de 2.165 instituições de ensino superior no Brasil, 20.407 cursos, 305.960 funções docentes e 4.453.156 matrículas. Ao todo foram 1.266.137 ingressos em instituições superiores de ensino através de vestibular. Com os dados apresentados, fica claro e evidente que a maioria dos alunos que conclui o ensino médio, é a minoria que ingressa no ensino superior de universidades públicas. O que se vê é um número muito relevante de ingressantes em universidades particulares.
Os dados são preocupantes, como a maioria de ingressantes em Universidades Particulares são alunos de classe inferior àqueles que conseguem ingressar em instituições públicas, ocorre assim, um índice de desistência muito alto, dos alunos que ingressam nas universidades privadas. Estes alunos se evadem porque não conseguem pagar as mensalidades ou porque casam muito cedo, ou ainda, pelo o horário de trabalho que coincide com o horário de estudo.
Em contrapartida, as faculdades particulares detém o maior número de alunos brasileiros, pois a cada ano que passa é grande o número de novas universidades privadas que abrem vagas para os cursos presenciais e a distância. Os cursos a distancia são questionáveis , por sua eficácia, porÉm estão com um grande numero de alunos matriculados, pela facilidade de cursar as disciplinas em casa. Todavia o número de universidades públicas é insuficiente para atender a demanda, é o que possui um conceito melhor entre as universidades, pois o aluno que recebe o diploma de uma universidade pública tem maior reputação que o aluno formado em universidade particular e outro fator muito importante é que o curso é totalmente gratuito. Todas as razões citadas tornam o vestibular mais concorrido entre os estudantes brasileiros.
Mesmo com a lei complementar do artigo 170 que garante aos alunos mais carentes bolsas de estudos de 30 a 100% do valor da mensalidade, não atinge o interesse e a necessidade de todos, ora por falta de conhecimento desta clientela, ora por existir sempre “ um jeitinho brasileiro” de burlar as leis. Às vezes ou quase sempre o aluno que realmente precisa do auxílio financeiro fica de fora da lista de candidatos e o aluno que não precisa, mas omite dados sobre renda familiar, consegue facilmente a bolsa. Como não há uma fiscalização permanente e eficaz, mais uma vez, o aluno de classe social inferior não consegue permanecer até o final do curso.
Uma outra situação que amedronta e afugenta os estudantes é a relação candidato/vaga, que chega a ser assustadora para a grande maioria. O número de candidatos extrapola e muito, o total de vagas oferecidas.
A abertura de cotas é uma política oficial, nascida de um Projeto de Lei, o PL 73/99, da deputada Nice Lobão (PFL-MA), que estabelece um sistema de reserva de vagas para universidades públicas, baseado no desempenho escolar dos alunos do Ensino Médio. Com o substitutivo do deputado Carlos Abicalil (PT-MT) ao projeto original, há a destinação de 50% das vagas para quem cursou o Ensino Médio em escolas públicas. Dentro desse percentual, são reservadas vagas a alunos que se declararem negros ou índios, em uma proporção igual à população de negros e indígenas em cada estado brasileiro, segundo os indicadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Tema que gerou muitas polêmicas já que é mais um critério analisado no ingresso ao Ensino Superior e são muitas falas a favor e contra este procedimento. Cabe aqui só repassar algumas das opiniões, visto que é um assunto para a escrita de um novo artigo. Servirá somente para explicitar ainda mais que alguma coisa anda errada e que ainda hoje existe a exclusão do pobre e a inclusão da elite, consequentemente um fator histórico em nossa sociedade. Selecionei algumas opiniões, retiradas da Revista Mundo e Missão, editada em outubro de 2006, referentes às cotas para negros na Universidade.
“Com a reserva de vagas, também se pôde ver como o racismo é arraigado na sociedade, como mostram os setores contrários às cotas, que não querem dividir seu espaço na universidade com outros”. Maria Cláudia C. Ferreira, pesquisadora do PROAFRO
“Sou a favor de qualquer medida que altere a ausência de afro-descendentes nas universidades. As políticas tradicionais não vão desarmar o racismo da sociedade brasileira”.Paulo S. Pinheiro, secretário nacional dos Direitos Humanos
“O rendimento acadêmico dos cotistas é, em geral, igual ou superior ao dos alunos que entraram pelo sistema universal. [...] A prática de cotas tem contribuído para combater o clima de impunidade diante da discriminação racial no meio universitário”. Manifesto em favor da Lei de Cotas e do Estatuto daIgualdade Racial, assinado por mais de 300 pensadores
As políticas públicas em favor do igualitarismo social e econômico, que visam a atender a todos os excluídos de forma universalista, não podem servir mais para dissimular a irresponsabilidade em relação ao combate às formas de discriminação que não se fundam só no econômico, como é o caso da discriminação contra mulheres, homossexuais, deficientes físicos, índios e negros. Afinal quem está sendo excluído ou incluído de fato? Não se pode saber.
CONCLUSÃO
Desde o surgimento da primeira Universidade no Brasil, o que se tem registrado e observado é uma sucessão de acontecimentos que refletem e conferem a disparidade gritante entre classes sociais, com a exclusão de alunos pobres, negros, índios, deficientes dos bancos acadêmicos.
É histórico o fato de que as classes dominantes sempre tiveram o poder de decisão e as classes dominadas sempre a mercê da marginalização. Políticas Públicas são criadas, através das mais variadas formas, porem sendo o Brasil um país muito extenso e populoso, sempre há algo a corrigir.
O Brasil Colonial e Imperial veio confirmar e determinar quem tem o poder em nosso país, desde a domesticação dos índios pelos jesuítas, da Universidade escravocrata até a Universidade recente que classifica por vários métodos, mas elimina e exclui o menos elitizado. Confirma-se com dados fornecidos neste artigo a disparidade de jovens que conseguem freqüentar uma Universidade e ter a possibilidade de ter uma boa carreira profissional. O que de fato se confirma é que os acadêmicos tem o perfil da elite, o formato da elite e a cara da elite.
Neste contexto o vestibular contribui para exclusão e não serve de porta de entrada para muitos, pois elimina o que sabe menos, o que estudou menos ou estudou em escolas descomprometidas, ou ainda, pertenceu sempre a uma classe sem recursos áudio-visuais, que disponibilizasse a ele menos acesso ao mundo e ao seu contexto como cidadão de um mundo globalizado. Quiçá o novo sistema de seleção dos alunos ao Ensino Superior venha dar prioridade e oportunidade a todos sem distinção de classe social ou etnia.
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